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COLETÂNEA DOS ARTISTAS GAÚCHOS: GRAÇA CRAIDY

14.06.2022

Confira a entrevista que fizemos com a artista participante da Coletânea sobre sua obra e a participação no projeto.

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos – a biblioteca do metrô –, a Trensurb está promovendo a Coletânea dos Artistas Gaúchos, projeto cultural que busca destacar a produção dos artistas visuais do estado, dando visibilidade ao seu trabalho para um público que não tem o hábito de frequentar os espaços tradicionais de exposição de arte. Os perfis nas redes sociais da Trensurb e do Espaço Multicultural divulgam, mensalmente, três obras de cada um dos 14 artistas participantes da Coletânea. As obras também são veiculadas nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações), que apoia o projeto. A curadoria da Coletânea é do poeta e assessor da Trensurb, Élvio Vargas, da artista multimídia Liana Timm e da professora Dione Detanico.

Em abril, a Coletânea destaca três obras da artista Graça Craidy. Uma delas é parte da coleção Velho: Profissão Solidão e as outras duas são intituladas Lulu vai ao parque e Gatíneo assustado. São pinturas em aquarela e acrílica sobre tela, produzidas em 2017 e 2020. Nascida em Ijuí, Graça Craidy é artista visual, mestre em Comunicação, com forte trabalho de denúncia de violência contra a mulher. Antes de começar a criar artes, em 1987, trabalhou como publicitária por 40 anos, desenvolvendo sua criatividade de outras maneiras. Apaixonada pela arte do retrato, sob todas as formas - pintura, aquarela, nanquim, lápis de cor, grafite, arte digital, pastel oleoso -, é também aquarelista de flores e pássaros. Já expôs em cerca de 45 mostras coletivas e 28 individuais, inclusive no México e Itália. Tem obras no acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS).

Confira a seguir a entrevista que realizamos com ela a respeito da participação no projeto e sua obra.

Como vês o projeto Coletânea dos Artistas Gaúchos, realizado pela Trensurb?
 
Graça Craidy - Acho maravilhoso este projeto que leva arte para o povo, democratizando o seu acesso. O Milton Nascimento tem razão.
 
Desde quando tu produzes arte? Como foi tua trajetória?
 
Graça Craidy -  Produzo arte visual oficialmente desde 1987, quando frequentei em São Paulo o Curso de Desenho com o Lado Direito do Cérebro, com o professor Danton de Lucca. Mas durante 40 anos fui criadora publicitária, exercitando cotidianamente a minha criatividade para criar anúncios, filmes, textos, áudios e imagens. Minha professora Daisy Viola diz que, onde abre o canal do exercício da criatividade, por ali, podem passar todas as artes. Por isso talvez eu escreva, desenhe e cante com a mesma paixão.
 
Qual é a tua grande inspiração artística?
 
Graça Craidy - A minha grande inspiração artística são as pessoas, as flores e os pássaros. Amo retratos.
 
Como é teu processo criativo?
 
Graça Craidy - Primeiro me apaixono, me encanto ou me indigno. Depois penso em como transformar isso em desenho. Pesquiso referências, monto um rascunho do que quero. Aí escolho o material: pastel oleoso, nanquim, aquarela, acrílica, óleo.... E parto avidamente para fazer. Só largo quando dou por terminado.
 
O que gostas de abordar em tuas artes?
 
Graça Craidy - Gosto de abordar o estado de humanidade, de verdade, de paixão dos meus objetos de estudo. Aquilo que estica a emoção, o que revela algo além do belo ou do feio, um estado de gozo do momento, seja bom seja ruim. Eu persigo epifanias.
 
O que motivou a escolha das artes para a Coletânea? O que elas significam para ti?
 
Graça Craidy - A menina com o cachorrinho é um flash de pura alegria e encantamento. O velho na janela tem a densidade de uma longa vida pontuada de dores e amores, agora aprisionada na sua velhice, na sua janela, assistindo a vida sem viver. Propõe uma reflexão sobre a velhice. E o gatinho em aquarela é o meu espanto com o reino animal e a liberdade que tem o gato de ser o que lhe dá na telha, dono do seu viver.
 
Existe, nos rostos de tuas pinturas, um mapa íntimo da alma dos retratados?
 
Graça Craidy - Certamente, nos rostos que pinto ou desenho, há um mapa íntimo detalhado da alma dos meus retratados. Posso perceber no modo como o canto da boca crispa, como um olho aperta mais que o outro, na maneira como o maxilar relaxa, tenho uma ligação fortíssima com meus retratados, como se ao desenhá-los fosse acariciando cada centímetro do seu rosto, me mimetizando neles, eles, eu, eu, eles.
 
Traduzir feições, na tua arte, significa um protagonismo de narrativa, onde as personas absorvem traços fisionômicos próprios esculpidos pelos seus flagelos íntimos?
 
Graça Craidy - Na verdade, não saberia dizer se o protagonismo da narrativa é meu ou do próprio retratado que me conta de si por suas feições, acho que sou mais um cambono de suas almas que passam por mim se autorretratando pelas minhas mãos.
 
Tu compões rocks com tuas imagens, devidamente reformadas, criando uma iconografia inspirada neste tema musical?
 
Graça Craidy - Sim, o rock tem um significado muito especial pra mim, representa a burla, o exercício da paixão e fúria, o que não sossega, o que permite rugir o bicho que mora nas tripas. Me agradam e me encantam velhos roqueiros como Keith Richards, por exemplo, fieis a si próprios e seus olhares deliciosamente enviesados.
 
A transgressão sublime da humanidade salva a arte, transformando agonias em harmonia estética?
 
Graça Craidy - A transgressão é o oxigênio da arte. É ali que se vislumbra o espirito indomado, o que não foi dito, visto, percebido, onde não se transgrida, poeira, deja vus e tédio.

 

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