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ESTAÇÃO CULTURAL: LIVE DA TRENSURB DESTACA CARREIRA DE JAIRO KLEIN E SUA INTERPRETAÇÃO DE FERNANDO PESSOA

01.12.2020

Ator falou de sua trajetória profissional e do trabalho no espetáculo solo “Eu, Pessoa e Outros Eus”. Live foi transmitida e segue disponível por meio do Facebook.

Na tarde de segunda-feira (30), a Trensurb, por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), promoveu a última live do projeto Estação Cultural em 2020. Na ocasião, o ator Jairo Klein foi recebido pelo gerente de Comunicação Integrada da empresa metroviária, o jornalista Jânio Ayres, para um bate-papo sobre sua trajetória nas artes cênicas e sobre a produção do espetáculo Eu, Pessoa e Outros Eus. O solo é inspirado na vida e obra do poeta português Fernando Pessoa – e seus heterônimos. Como já havia feito no evento anterior do Estação Cultural, o ator apresentou também fragmentos do espetáculo no encerramento da live. A atividade marcou ainda o aniversário de 85 anos da morte de Fernando Pessoa. O evento foi transmitido e segue disponível na página do EMLsT no Facebook.

O início da trajetória

Klein começou falando de sua chegada a Porto Alegre, onde começou a atuar. Ele mudou-se  com a família, de Novo Hamburgo para a capital, aos 13 anos de idade. “Comecei a me interessar pela arte aos 13 anos, já ia assistir aos espetáculos que estavam acontecendo na cidade e, aos 15 anos, eu já estava entrando no palco, através da figura marcante do Dilmar Messias, que era um diretor”, conta o ator. Ele relembra dos testes para ingressar no elenco à época, que contou com 24 pessoas, muitas das quais tinham pouca experiência com teatro. Algumas delas acabaram seguindo nos palcos até hoje.

Klein lembrou também de sua primeira peça no Theatro São Pedro, Ubu Rei, dirigida por Messias. “O elenco todo se dividia, porque cada um fazia 10 ou 15 personagens”, relata. Segundo ele, isso gerou alguma confusão, dificuldades com figurinos, que sumiam, e histórias divertidas. “Foi uma maravilha, um grande começo, estrear no Theatro São Pedro com aquela galera toda. Faz parte da minha história esse trabalho”, declara.

Em seguida, o ator falou sobre seus dez anos na Companhia Face & Carretos, trabalhando com o diretor Camilo de Lélis e vários grandes atores. Foi nesse período que atuou em Macário, o Afortunado, peça que esteve em cartaz em diversos lugares por três anos e conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais. Segundo Klein, a Face & Carretos lhe proporcionou “grande aprendizado”, apresentando-lhe os bastidores do teatro e, basicamente, todo o fazer teatral: “Lá eu aprendi tudo. Aprendi a fazer figurino, maquiagem, cenário”.

Trabalhos com Eduardo Kraemer e teatro infantil

O ator relembrou também de alguns trabalhos com o diretor Eduardo Kraemer, entre eles Jogos na Hora da Sesta – que aborda o período da ditadura militar na Argentina –, peça pela qual diz ter grande carinho. “Foi um dos espetáculos mais lindos e emocionantes de se fazer”, afirma. Era, segundo Klein, uma obra muito forte, de muita emoção, que por vezes levava a audiência aos prantos, mas que também era muito intenso para os atores. “Era um trabalho que exigia muito de nós, atores, uma concentração, um preparo emocional”, afirma. Era exigente também fisicamente e demandava até uma hora de aquecimento antes do início do espetáculo. “Saíamos acabados”, diz Klein, muitas vezes com o corpo tremendo e, no caso dele, por várias horas, até mesmo com dificuldade para comer.

Citou também Apareceu a Margarida, onde interpreta o personagem “aluno” há 13 anos, ao lado do protagonista do espetáculo, Renato Del Campão. “É um personagem que eu faço com muito carinho, porque é uma participação especial que eu faço a convite do diretor, Eduardo Kraemer”, afirma. Klein destaca também a química que tem ao trabalhar com o diretor e relembra Cadarço de Sapato, espetáculo, também dirigido por Kraemer, que trata do tema do suicídio e que exigiu muita pesquisa e muitos ensaios madrugada a dentro.

O ator falou também de seu trabalho no teatro infantil, citando a peça Lulu & Lelé em Histórias Cantadas, dirigida por João Dimmer. Esse trabalho rendeu a Klein, em 2006, o Prêmio Quero-Quero, do Sindicato de Artistas e Técnicos do Rio Grande do Sul, na categoria de melhor ator coadjuvante. “Comecei a fazer teatro para crianças lá no início da minha carreira e adoro fazer até hoje”, diz ele.

Eu, Pessoa e Outros Eus

Em seguida, Klein falou sobre a sua experiência com Eu, Pessoa e Outros Eus, começando pela intervenção que realizou na Estação Mercado da Trensurb no Dia dos Namorados, em 2018. Na ocasião, ele declamou poemas e interagiu com os usuários do metrô, caracterizado como o poeta. Para o ator, a ação foi “emocionante”. Ele agradeceu o convite da Trensurb e afirmou sobre a atividade: “Marcou muito a minha trajetória como Pessoa”.

No espetáculo solo, Klein interpreta Fernando Pessoa, declamando e dando vida a versos selecionados do poeta e seus heterônimos. “O Pessoa é um presente pra mim”, declara o ator. “Eu me sinto agradecido por ele ter vindo na minha vida e eu poder ter sido verdadeiro ao interpretar sua obra e ter conseguido dar essa continuidade de 30 anos que estou fazendo já a figura dele”, completa. A performance é resultado desses mais de 30 anos de pesquisa de Klein a respeito de Fernando Pessoa e já levou o ator a viajar por todo o Brasil e também a representar o país por duas vezes nos Colóquios da Lusofonia, em Portugal. “Me dá muita alegria viajar com ele, a indumentária dele, eu monto a minha ambientação”, diz. Klein cita também diretores que auxiliaram-no na construção do espetáculo, como Sílvia Medeiros e Eduardo Kraemer.

Sobre o futuro de Eu, Pessoa e Outros Eus, o ator afirma: “É um trabalho que eu vou seguir fazendo. Quero muito poder fazer em vários lugares a que eu não fui”. Com a pandemia, Klein afirma estar trabalhando online e “percorrendo o Brasil” virtualmente. Ele também conta que o roteiro do espetáculo está sempre em construção, com poemas se alternando e novos textos sendo incluídos. Diz ainda estar trabalhando em um novo projeto com novos poemas de Pessoa.

Cinema e as companhias de teatro

Klein falou ainda sobre sua experiência no cinema, que consiste principalmente em participações pequenas e figuração. Citou, no entanto, dois filmes em que atuou pelos quais tem muito carinho: Red Fish, de Andreia Vigo – que tem participação do norte-americano David Lynch – e Legalidade, de Zeca Brito.

Ao final do bate-papo, o ator falou de sua carreira como um todo, dizendo que tem carinho por todos os espetáculos dos quais participou. “Eu percorri vários grupos, várias companhias, onde eu aprendi ali o fazer teatral”, afirma. Entre essas companhias estão Ato Sereno Produções, Face & Carretos, Quimera. Hoje está no grupo Teatrofídico, que, segundo ele, “tem todo um trabalho muito significativo dentro do mercado, porque sempre procuramos fazer espetáculos que digam alguma coisa para o público e que tragam essa verdade mesmo. É o nosso comprometimento com o teatro”.

Dando vida à poesia de Pessoa

A seguir, o poeta e assessor da Trensurb, Élvio Vargas, leu um poema seu dedicado ao trabalho de Jairo Klein interpretando Fernando Pessoa e seus poemas. E, encerrando a live, Klein surgiu com sua indumentária completa de Pessoa, em meio à ambientação construída por ele, declamando os versos do poeta e utilizando objetos como um sino, um relógio, uma moldura, livros e um castiçal. Ele começou com Quem pôs na minha voz, mero som cavo e encerrou com versos de Liberdade e Grandes são os desertos, e tudo é deserto, passando por poemas como Mestre, meu mestre querido!, Vai alta no céu a lua da Primavera, O meu olhar é nítido como um girassol, Aniversário e Passagem das Horas, além de trechos do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares.

Além do gerente Jânio Ayres e do assessor Élvio Vargas, também trabalhou na produção do evento o relações-públicas da Trensurb, Leonardo Marion.

Imagem: Reprodução

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